IBS e CBS previstos para janeiro de 2027 ainda não têm alíquotas definidas

A contagem regressiva para a entrada em vigor plena da CBS já começou, mas falta uma peça importante nesse quebra-cabeça. A poucos meses de janeiro de 2027, quando a Contribuição sobre Bens e Serviços passa a substituir de vez o PIS e a Cofins, o governo ainda não fechou o percentual exato dessa alíquota. Empresas e contadores estão, na prática, se preparando para um tributo cujo tamanho definitivo continua indefinido.

Ao longo de 2026, o país vive uma fase de calibração. Vale a alíquota teste de 1%, dividida entre 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, criada justamente para permitir que empresas e sistemas do governo se adaptem ao novo modelo sem impacto relevante na carga tributária. É uma espécie de ensaio geral antes da estreia de verdade. A partir de janeiro de 2027, porém, esse ensaio termina para a CBS, que assume sua alíquota de referência plena. As estimativas hoje circulam numa faixa que vai de 8,5% a 9,3%, dependendo de definições finais e exceções ainda em discussão no Congresso. O IBS, por outro lado, segue em fase de teste, mantendo o percentual simbólico de 0,1% até que sua substituição gradual do ICMS e do ISS comece de fato, a partir de 2029.

A soma das alíquotas de referência de IBS e CBS, quando o sistema estiver totalmente maduro, é estimada pelo governo entre 26,5% e 28%. É um número relevante, que vai nortear preços, contratos e margem de boa parte da economia brasileira. Mas justamente por não estar fechado, esse percentual segue sendo tratado como projeção, não como regra definitiva.

Essa indefinição chega num momento particularmente sensível. Como vimos na coluna anterior, empresas do Simples Nacional precisarão decidir, já em setembro de 2026, se vão recolher o IBS e a CBS por dentro da guia única ou separadamente, pelo regime híbrido, buscando gerar crédito integral aos clientes. O problema é que essa escolha estratégica está sendo feita, em boa medida, no escuro. Sem saber o valor exato da alíquota que vigorará a partir de janeiro de 2027, fica mais difícil simular com precisão qual modelo realmente compensa para cada tipo de negócio.

Apesar da incerteza sobre o número final, especialistas já têm clareza sobre a lógica que vai reger o novo tributo. A CBS seguirá o modelo de IVA, ampliando o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva e reduzindo a cobrança em cascata que hoje penaliza diversos setores. Ou seja, mesmo sem a alíquota fechada, é possível entender como o cálculo vai funcionar e começar a ajustar sistemas, notas fiscais e contratos para o novo formato.

E essa preparação não pode esperar a definição final do percentual. A virada de 2027 também obriga empresas do regime regular a emitir documentos fiscais eletrônicos já com os campos de CBS e IBS destacados, revisar formação de preços, fluxo de caixa e relacionamento com fornecedores. Quem deixar essa adaptação para a última hora corre o risco de tomar decisões apressadas justamente no momento em que mais precisa de precisão.

O recado é direto: mesmo sem saber o número exato que sairá do Congresso, quanto antes sua empresa entender a lógica do novo tributo, mais tempo terá para ajustar estratégia, sistemas e contratos. Quer simular diferentes cenários de alíquota e entender o impacto no seu negócio? Fale com a equipe da Fila Contabilidade.