O Simples Nacional está prestes a ganhar uma rotina bem diferente da que os empresários conhecem há anos. Até hoje, a opção pelo regime era feita em janeiro, de forma simples e praticamente automática para quem já estava regular. Com a Reforma Tributária, esse calendário muda por completo: a decisão passa a ser tomada em duas janelas ao longo do ano, com efeitos que se estendem por semestres inteiros. A primeira e mais importante dessas janelas já está marcada para setembro de 2026.
É nesse mês que as empresas precisarão formalizar a opção pelo Simples para todo o ano de 2027, e também decidir como pretendem recolher os novos tributos, o IBS e a CBS. Duas alternativas estarão na mesa: manter tudo dentro da guia única do Simples, no chamado regime tradicional, preservando a simplicidade que caracteriza o regime hoje, ou recolher esses tributos separadamente, pelo regime híbrido, o que pode gerar crédito integral para os clientes da empresa. Essa segunda opção tende a interessar principalmente negócios que vendem para outras empresas e sentem pressão do mercado por mais crédito tributário na cadeia.
A escolha feita em setembro vale para o primeiro semestre de 2027. Uma segunda janela se abre em março, permitindo ajustar apenas o modelo de apuração (tradicional ou híbrido) para o segundo semestre daquele ano. É aqui que mora uma das principais armadilhas dessa nova sistemática: quem errar a mão na decisão de setembro fica preso ao modelo escolhido por seis meses inteiros, sem qualquer possibilidade de correção antes de março. Uma simulação malfeita, ou uma escolha tomada às pressas sem análise completa da operação, pode travar a empresa num regime menos vantajoso por boa parte do ano.
Há ainda um pré-requisito que merece atenção redobrada: só participa dessas janelas de opção quem estiver em plena regularidade fiscal. A Receita Federal já antecipou o cronograma de notificações de exclusão para o início de 2026, justamente para limpar a base de empresas com débitos pendentes antes da abertura da primeira janela. Empresas com pendências correm o risco real de ficar de fora do regime, mesmo que nunca tenham cogitado sair dele por vontade própria.
A decisão entre o modelo tradicional e o híbrido também não deve ser tratada como uma questão puramente técnica ou interna. A escolha impacta diretamente contratos com clientes e fornecedores, já que a forma de recolhimento do IBS e da CBS interfere na geração de crédito ao longo da cadeia. Empresas que optarem pelo regime híbrido, em especial, podem precisar revisar cláusulas contratuais para deixar claro como esse crédito será tratado, evitando conflitos comerciais e disputas judiciais mais à frente.
Vale reforçar, ainda, que setembro de 2026 também marca o início da obrigatoriedade da Nota Fiscal de Serviço eletrônica no padrão nacional para empresas do Simples, conforme a Resolução CGSN nº 189/2026. Quem ainda emite notas por sistemas municipais precisa confirmar, com antecedência, se a integração ao ambiente nacional já está pronta.
Diante de tantas mudanças simultâneas, o maior risco de 2026 pode não ser nenhuma regra específica, mas o pânico. A reforma é real e traz decisões mais complexas, mas o processo é gradual, e há tempo para se preparar com calma. Trocar de regime sem simulação adequada, contratar consultorias por impulso ou repassar custos fictícios aos preços são erros comuns que uma boa análise contábil ajuda a evitar. Quer simular o melhor caminho para sua empresa antes da janela de setembro? Fale com a equipe da Fila Contabilidade.


